Boas festas  escrito em quinta 24 dezembro 2009 22:53

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"Apero crioulo", um patrimônio regional.  escrito em sábado 24 outubro 2009 19:39

Quando os primeiros colonizadores do que hoje é o estado do Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina tiveram que fabricar seus arreios, não encontraram os materiais usuais em sua fabricação como a sola curtida o feltro e metais, escassos e produzidos na Europa.

 Em substituição a esses materiais, usou-se uma matéria-prima encontrada em  abundância na região, o couro cru vacum e cavalar, proveniente dos animais deixados pelos jesuítas e reproduzidos em milhares.  E com ele fez as ferramentas necessárias ao seu cotidiano, como  rédeas, laços, lombilhos e até mesmo estribos na falta do metal.

Sem dúvida o que não faltou à esses pioneiros foi criatividade para superar as adversidades do meio. Passada esta fase inicial o apero crioulo deixou de ser apenas uma ferramenta de trabalho, e passou também a objeto de adorno.

 O gaúcho histórico que vivia sob o lombo do cavalo, e a este despendia especial atenção, tratou de embelezá-lo através dos aperos, desenvolvendo finos trançados de couro cru, técnica em que se tornaram inigualáveis, uma habilidade que tem-se como herdada dos indígenas em especial os Minuanos e Charrúas.  Também quando tiveram acesso, aplicaram-lhe metais nobres, como a prata que era estraída de mínas americanas e outros que passaram a destacar  ainda mais sua montaria.

Na foto acima, exemplos de estribos usados na região sul do Brasil em meados do séc. XIX, feitos em  prata, bronze e ferro fundidos. Apresentam em suas laterais a figura da face de um nativo ameríndio, motivos recorrentes utilizados por fabricantes europeus que produziam estas peças de montaria para exportar para o Brasil e países do prata. 

                                                                                          Texto e foto: Rodrigo Lobato Schlee

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O guasqueiro e o couro cru  escrito em quinta 24 dezembro 2009 22:56

  Chama-se "guasqueiro" no Brasil, "guasquero" ou "soguero" na Argentina e no Uruguai, o artesão que usa como principal matéria prima de seus trabalhos o couro cru, couro vacum sem ser curtido.

 A palavra guasqueiro vem de guasca, que significa pedaço ou tira de couro cru, sendo o guasqueiro, aquele que faz trançados exclusivamente com este material.

 A origem deste ofício, remonta o período de colonização espanhola e portuguesa na América do sul, quando o “gaúcho histórico” começava a se desenhar nos campos do Rio Grande do Sul e dos países do Prata, caçando o gado selvagem abandonado pelos jesuítas espanhóis, surgia o trabalho do guasqueiro, que era o de fabricar artigos de couro para montaria.

Aproveitando a abundancia de couro vacum e cavalar na região, o gaúcho que vivia sob o lombo de um cavalo, passou a desenvolver suas próprias técnicas na feitura de utensílios de montaria. A partir da cultura eqüestre, herdada de portugueses e espanhóis com suas raízes Árabes, aliado a arte de marinharia e sem esquecer da influência indígena, nasce um tipo de trabalho único, dado a complexidade e diversidade de suas técnicas, assim como o esmero na busca da beleza estética.

Entre uma correria de gado e outra, entre uma guerra e outra, os primeiros gaúchos viviam períodos de ócio, tempo necessário para desenvolverem intrincados e complexos trançados de couro, destinados não somente para deter e guiar a sua montaria, mas também embeleza-la, já que era no cavalo e seus aperos que demonstravam seu orgulho e na maioria das vezes sua única fortuna pessoal.

Com a divisão dos campos em estâncias, o gaúcho tornou-se peão de campo, e o oficio dos guasqueiros, manteve-se vivo em seu dia-dia, fabricando as ferramentas de trabalho. Não foram poucos os que se dedicaram exclusivamente à profissão de guasqueiro, e passaram a fabricar os “preparos ou aperos”, como são chamados o conjunto de peças necessárias no trabalho a cavalo. Alguns destes, passaram a receber inúmeras encomendas e tornaram-se famosos em suas regiões, seja pela resistência e durabilidade de seus trançados de trabalho, ou pela delicadeza e refinado gosto nos aperos de luxo, para os dias de festa.

No séc. XX, o guasqueiro tradicional riograndense, assim como o próprio gaúcho, viveu seu período de decadência, com o fracionamento das estâncias e a diminuição de suas áreas, já não era necessária à mesma quantidade de trabalhadores, o que consequentemente refletiu nos guasqueiros, assim como também a substituição do couro cru, pela fibra sintética. Diferente desta realidade, na Argentina, por questões econômicas e principalmente por uma retomada do nacionalismo e acima de tudo do tradicionalismo gaucho, já em fins do séc.XIX, o ofício dos guasqueiros passaria a ser valorizado como uma identidade regional, e suas peças começavam a figurar em coleções particulares e museus, o que lhes deu notoriedade e garantiu a sobrevivência do ofício.

Nos dias de hoje, a exemplo do país vizinho, o Brasil e principalmente os riograndenses, começam a ver com outros olhos o trabalho do guasqueiro. Com o crescimento dos criatórios de cavalo crioulo e o renascimento de um novo tradicionalismo, que busca não somente autenticidade mas compreender sua essência, o guasqueiro volta a ativa e com força total, adapta-se a nova realidade e passa a produzir não somente os preparos tradicionais de trabalho, mas os que serão usados em pistas de exposições morfológicas, provas funcionais, bem  como objetos decorativos, e de uso urbano aproveitando-se da antiga técnica.

                                                         Texto:  Rodrigo Lobato Schlee

                                                                  Pelotas, 25/05/2007   

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Cinturão de rastra em soga bordada com tentos de lonca  escrito em terça 01 setembro 2009 04:53

Cinturão de rastra, de soga (couro cru sovado) com motivos vegetais bordados com tentos de lonca.

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.  escrito em terça 01 setembro 2009 04:41

Rebenque com cabo de prata e ouro e trançado de 82 tentos de lonca de potro feito por Rodrigo Schlee.

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